ALENTEJO - Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa (Descrição histórica)
ALENTEJO - Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa
Crato - Visita guiada no âmbito do VI encontro sobre Ordens Militares em 12 de Março de 2010
O
Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa é um dos mais originais e intrigantes
edifícios do gótico português. A sua monumentalidade exerce ainda hoje um
fascínio que resulta, pelo que se sabe, da história da sua própria edificação.
Na fachada do edifício são logo percetíveis os nexos de construção: à direita,
o volume da igreja, cruciforme, coroada por modilhões; ao centro, mais
discreta, a galilé da entrada e as duas janelas da Sacristia; à esquerda, as
três torres do Paço senhoriais; por detrás desta fachada adivinha-se, a zona
monástica, mais recolhida, com o Claustro e restantes dependências em seu
redor.
Três
períodos principais de construção materializaram este monumento. Os dois
primeiros terão decorrido durante a idade Média (século XIV). De início,
segundo se depreende dos vestígios arqueológicos, a Flor da Rosa parece ter
sido, tão só, um quadrado defensivo, uma composição de muralhas com uma torre
avançada a norte e outra torre, eventualmente, a sul – uma fortaleza, provavelmente
inspirada na arquitetura militar da Terra Santa, promovida pelos Hospitalários.
Somente a partir de 1341, durante o grão-priorado de D. Álvaro Gonçalves
Pereira, parece claro o programa arquitetónico. Tratou-se de atualizar a fortaleza
pré-existente com a construção de torres defensivas que servissem,
simultaneamente, de paços-forte para ordem, que elegera a Flor da Rosa como sua
sede. Essas torres foram instaladas na face sul do edifício. Pouco depois,
certamente a partir de 1356 quando se oficializa a sede, é decidida a
construção de uma igreja de grandes dimensões. A igreja iria encostar-se ao
quadrado defensivo. Desenvolveu-se para nascente e obedeceu a um programa de
grande monumentalidade. Por esta altura conclui-se também parte do corpo
residencial, com o acrescento da torre maior.
O
claustro teria, por seu lado, uma expressão funcional distinta da atual. O
conjunto de cicatrizes visíveis ao longo das paredes mostram ser provável a
existência de um primeiro piso servido por portas de arco ogival, hoje
escondidas a meia altura ou parcialmente entaipadas, e por uma galeria ou
varanda corrida, sustentada num travejamento de madeira que encaixava nos
edifícios que correm ao longo da parede do claustro, escavadas nos silhares
compactos do período de obras mais antigo. O conjunto medieval já estaria
pronto por volta dos Anos 80, pelo que D. Álvaro, o seu fundador, viria a ser
sepultado por vontade expressa num “bem obrado muymeto de mármore de Estremoz.
Em
Quinhentos - ou mais provavelmente ainda na centúria anterior – se iniciou a
terceira grande campanha de obras, que viria a marcar decisivamente a feição do
Mosteiro, tal como hoje o conhecemos. Num primeiro período essas obras
começaram por assumir um carácter estrutural pela necessidade de ampliação de
espaço que, não só de carácter estrutural pela necessidade de ampliação do
espaço que, não só se tornava exíguo para a comunidade religiosa como, sobretudo,
pouco adequado à conceção vivencial da época e á reforma monástica que se operara.
Assim
se começariam as obras pela construção de uma cinta de salas que relegaria para
o interior a antiga muralha medieval, agora inútil e anacrónica. Assim se
construiu a Sala do Capítulo, com sua monumental portada de acesso, o novo
Claustro, mais alto e sólido que o anterior, o novo Refeitório, de elegante
abóboda e generosas dimensões, a nova Cozinha, e os novos Dormitórios, amplos e
bem iluminados.
Sucedendo
à campanha manuelino-mudéjar, a do segundo período quinhentista coincidirá com
a introdução, no Mosteiro, do gosto do Renascimento. São não já obras
estruturais mas tão só decorativas que, como se verá adiante, introduzirão um
novo conceito de elegância escultórica na edificação.
O
abandono do edifício desde o século XVIII comprometeu o seu destino. Em finais
do século XIX parte da igreja desabou e somente a partir de 1940, se efetuaram
trabalhos de restauro e reconstrução. Nos finais do século XX o edifício foi
reabilitado e adaptado a pousada através de um projeto de “obra nova” do
arquiteto João Luís Carrilho da Graça que remodelou parte das dependências e
acrescentou uma ala de funções hoteleiras modernas.
(in Folheto/Guia “Mosteiro de Flor da
Rosa” com textos da autoria de Paulo Pereira e Jorge Rodrigues)
Texto
capturado em 28 de fevereiro de 2018, de: http://www.cm-crato.pt/pt/posto-de-turismo/13-turismo/21-museu



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